The Project Gutenberg EBook of O Oraculo do Passado, do presente e do
Futuro (3/7), by Bento Serrano

This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
almost no restrictions whatsoever.  You may copy it, give it away or
re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
with this eBook or online at www.gutenberg.net


Title: O Oraculo do Passado, do presente e do Futuro (3/7)
       Parte Terceira: O oraculo dos Segredos

Author: Bento Serrano

Release Date: November 13, 2009 [EBook #30462]

Language: Portuguese

Character set encoding: ISO-8859-1

*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK O ORACULO DO PASSADO (3/7) ***




Produced by M. Silva (produced from scanned images of
public domain material from Google Book Search)





O ORACULO

DO

PASSADO, DO PRESENTE E DO FUTURO

OU O

Verdadeiro modo de aprender no passado
a prevenir o presente, e a adivinhar o futuro

POR

BENTO SERRANO

ASTROLOGO DA SERRA DA ESTRELLA,

_Onde reside ha perto de trinta annos, sendo a sua habitao uma estreita
gruta que lhe serve de gabinete dos seus assiduos estudos astronomicos_


OBRA DIVIDIDA EM SETE PARTES, CONTENDO CADA UMA O SEGUINTE:

Parte primeira--O ORACULO DA NOITE
Parte Segunda--O ORACULO DAS SALAS
Parte Terceira--O ORACULO DOS SEGREDOS
Parte Quarta--O ORACULO DAS FLORES
Parte Quinta--O ORACULO DAS SINAS
Parte Sexta--O ORACULO DA MAGICA
Parte Setima--O ORACULO DOS ASTROS


PORTO
LIVRARIA PORTUGUEZA--EDITORA
55, Largo dos Loyos, 56
1883




PARTE TERCEIRA

O ORACULO DOS SEGREDOS

OU

Colleco de muitos segredos uteis a todas as pessoas, e para a cura
radical de muitas molestias conhecidas e desconhecidas




PORTO
LIVRARIA PORTUGUEZA--EDITORA
55, Largo dos Loyos, 56
1883




Porto: 1883--Imprensa Commercial--Lavadouros, 16.




O ORACULO DOS SEGREDOS




Segredo 1.


Tirado do livro de S. Cypriano (o feiticeiro) para fazer subir um
homem ao ar e andar nas alturas 30 minutos, sem lhe acontecer mal
algum.

Deita-se um homem estendido no cho, depois ponham-se dois homens aos
ps e outros dois  cabeceira. Feito isto digam as palavras seguintes,
principiando por um e acabando por outros:

1. homem--Aqui cheira a corpo morto.

2.--Pezado como um chumbo.

3.--Leve como uma penna.

4.--Levanta-te na hora de Deus.

No fim de ditas as palavras acima mencionadas, apontae-lhe com os dedos,
que elle logo sobe ao ar, tal qual como um passaro; no fim de 30
minutos, ce ao cho sem lhe acontecer mal algum.

Este segredo foi descoberto por Lucifer, o principe do Inferno.




Segredo 2.


Para um homem conhecer se a mulher lhe  infiel ou no

A qualquer hora da noute, quando observarem que a mulher est dormindo e
sonhando, pe-se-lhe devagarinho uma mo sobre o corao, que d'essa
maneira conhecem logo se  sonho; se o fr ella por sua propria bocca
vos comear a descobrir tudo o que fr de verdade, e o homem vae
observando o que ella lhe diz e vae tirando a mo de pouco a pouco por
que esta operao no pde durar mais que 10 minutos, para no acontecer
que a mulher acorde e observe o que se est fazendo.

Sendo assim tudo descobriro, e ella nada fica sabendo do que disse.
Depois de feito isto devem guardar segredo para evitar questes.




Segredo 3.


Effeitos do vinagre e da ourina

Logo que uma pessoa d qualquer cortadella e queira vr-se s em 8
horas, botem-lhe em cima vinagre ou ourina. Este remedio  approvado,
assim o tenho experimentado e sempre com bom resultado.




Segredo 4.


Para tirar as dores de cabea

Se alguns dos meus leitores tiverem dores de cabea e se em pouco tempo
as quizerem alliviar faam o remedio seguinte: uma cabea de alhos,
tirar as cascas aos dentes, botal-os em um almofariz e mol-os bem
modos, pegar em um bocadinho de massa e esfregar a testa e fontes bem
esfregadas que, depois, em pouco tempo passar a dita dr.

Se no fim da esfregao o paciente se poder deitar melhor ser que
depois de se levantar nada ha de sentir.




Segredo 5.


Para quem quizer beber o vinho simples sem agua

Para tirar a agua do vinho, se far uma vazilha de pau de hera, lanando
o vinho n'ella; se tiver agua, todo o vinho se ir coando, e ficar s a
agua na mesma vazilha; e se no tiver agua ficar a vazilha escorrida de
todo o vinho.




Segredo 6.


Para que uma pessoa indo pela rua em noute escura leve luz adiante
de si que allumie toda a rua sem se conhecer que qualidade de luz 

Quebre-se uma noz em duas, de modo que fiquem os miolos inteiros; estes
mettidos sem os quebrar na ponta de uma verga de arame, que tenha uma
vara que seja grossa, pondo o lume no miolo das nozes, tendo a outra
ponta de arame na mo, faro tanto lume como uma tocha, sem se vr mais
que o mesmo lume.




Segredo 7.


Para fazer que a comida parea estar cheia de bichos

Secretamente partiremos duas cordas de viola uma grossa outra delgada em
bocadinhos, se fr assado sendo gallinha se lhe mettero pela abertura;
sendo outra cousa se lhe dar um golpe em que se lhe mettem; sendo
cozido se botaro na panella ao tirar do lume e assim viro pegados na
carne com a quentura que em si levam, e com a fresquido do ar que lhes
d se encolhero e estendero como bichos, e quem estiver comendo fica
enganado.




Segredo 8.


Para aquelles que caminham no sentirem a calma, nem o cansao do
caminho

Saindo eu de Alcoy para S. Thiago,  porta de uma aldeia, encontrei tres
peregrinos, com os quaes acompanhei at ao meu destino, e segundo o que
n'elles observei deviam ser virtuosos, e aos mesmos vi que levavam
pendurado no cinto, um pequeno raminho de bella-luz. Perguntei-lhe o que
aquillo representava, e tive de resposta: Pois vs ainda no sabeis o
segredo? Tiraram do seio cada um sua mancheia de artemija, dizendo-me
que com aquillo pouco se sentia a calma e o cansao do caminho. D'ahi
por diante me aproveitei d'isso e achei ser verdade, o segredo que me
ensinaram.




Segredo 9.


Para no criar pulgas e para evitar persevejos

Tomem quatro folhas de herva santa, um ramo de arre com flor, outro de
herva sedagoza partes iguaes frigam-se em azeite simples, misture-se
tres onas de cra amarella, untando tres dias successivos no smente
os mata, mas tambem a pessoa que com isto se untar nunca mais os criar.
E para evitar pulgas bote-se pela casa mentastros e folhas de amieiro,
estas hervas tem virtude para as matar e no criarem outras. E
qualquer d'ellas far o mesmo effeito, botando com abundancia pela casa.




Segredo 10.


Para fazer letras nas costas da mo com cinza de papel

Se quizerem fazer com que os assistentes, fiquem admirados sem saberem
de que modo veio essa letra, secretamente, com a propria ourina e a
ponta de um pausinho, escrevem as letras que quizerem que appaream, e
depois se deixar seccar, e se mostra a quem quizer vr a mo limpa;
queimem um papel tendo escripto as mesmas letras (isto com tinta, preta)
que se escreveram na mo, e com o mesmo papel queimado, se esfregar a
parte onde se fizeram as letras com a ourina, que conforme foram feitas
assim saro pintadas de preto, por isso quem no souber o segredo se
admirar.




Segredo 11.


Para crianas que teem lombrigas e tosse

Provavel remedio para quem tem crianas com essa doena. Se fr tosse
lancem-lhe uma esponja ao pescoo, que logo lhes abrandar. E se forem
lombrigas, botem uma pequena mancheia de farinha centeia, em uma
pouca de agua, que fique tingida como sro de leite, assim dada a beber
em jejum, todas as manhs, mata as lombrigas.




Segredo 12.




Segredo para os cabellos nunca cahirem e conservarem-se pretos

Tomaro folhas de azinheiro, e cascas de pepino sccas, depois de
misturado em partes iguaes, bem pizado e espremido, botar-se-ha o sumo
em meio quartilho de agua-ardente camphorada, e bem mechida, se por ao
orvalho da noute, por espao de 8 dias. Com esta mistura lavaro a
cabea pelo menos de tres em tres annos, que o cabello no cahir.




Segredo 13.




Segredo para quando forem tirar o mel das colmeias no serem
mordidos pelas abelhas

Tomem o malvaisco, e untem bem as mos e rosto com o sumo d'esta planta,
depois untem-se com azeite que tenha servido j nas candeias, com que se
allumiam, que indo bem untado podem fazer o servio sem receio, que
ellas no faro mal algum. E se por acaso te picar alguma vespa,
unta bem a parte com azeite liquido, que brevemente est so.




Segredo 14.


Para evitar formigas, mosquitos e persevejos

Aquella parte onde quizermos que no entrem n'ella formigas, cercaremos
com um risco de carvo grosso, ou com cinza, ou com salmoura, ou com sal
molhado, que no passaro este limite para dentro. E se pozerem estas
cousas todas misturadas melhor ser.

E para mosquitos no virem de noute  cama dependuraro  cabeceira uns
poucos de pregos, que no chegaro alli. E para persevejos, tome-se uma
pouca de palha estrangeira, cozida n'um tacho, e botem-lhe uma quarta de
pedra hume, e em fervendo tudo depois da agua estar fria lavem a barra
da cama; ou a qualidade que lhe pertena com a dita agua. Na cama, ou
casa onde se criarem persevejos, tomando um pimento em um fogareiro que
se queime, posto debaixo da cama todos os persevejos que houver onde
chegar o fumo do brazeiro morrero.




Segredo 15.


Para se conhecer a sarna e o meio de a curar

Para se conhecer a doena da sarna, basta vr entre os dedos das mos
umas bolhinhas, que esto quasi constantemente em comiches; mas com
este segredo, cura-se facilmente, dentro em pouco tempo: basta deitar
sobre a parte doente, umas pingas de oleo de petroleo. Mas no se deve
esfregar.

Deixe-se o oleo na parte durante uma hora. Continua-se no dia seguinte e
mesmo nos outros emquanto no sarar. Este remedio que est ao alcance de
todos,  muito approvado, e seu emprego tem sido adoptado em immensos
casos.

Um outro consiste em lavar com licor concentrado de alcatro, por que
produz muito bom effeito.




Segredo 16.


Para os que costumam enjoar

Um verdadeiro servio, que com este segredo presto aos viajantes,
principalmente aos embarcadios. Dou-lhes a saber este segredo que de
tanto lhe pde servir: logo que o mal se comea a sentir, e quando a
cabea anda  roda e o estomago enfraquecido deve-se tomar 2 at 5
perolas de chloroformio, que o mal desapparece logo. E no havendo
as ditas perolas, tomaro perolas de ether, que fazem o mesmo effeito.
Tanto umas, como as outras vendem-se em quasi todas as pharmacias, e o
viajante se munir d'ellas antes de embarcar, porque o enjo  um mal
que causa sempre bem  creatura que vae no mar.




Segredo 17.


Para curar os catarrhos que nos costumam apoquentar

Tenho observado j muitas vezes que este segredo d sempre bom
resultado, n'esta doena to massadora, e custosa de soffrer. Para essa
cura tomem: essencia de therebentina, que d bom resultado; com um gosto
detestavel  impossivel o poder tomal-a pura, ou em mistura. Mas tomae
em frma de perolas. As perolas de therebentina tomam-se de 6 at 12 na
occasio das comidas. Dentro em pouco tempo, os catarrhos, mesmo os
antigos, melhoram-se e curam-se. Por muito que explique, nunca so
muitas as explicaes, dignas do elogio d'este segredo.




Segredo 18.


Para os enganos que ha em pezos e medidas

Antes de outra cousa se note, que o gado vaccum quanto mais est depois
de morto mais peza, pelo contrario o gado miudo, assim tambem para
dar o seu a seu dono assim no pezo da carne, como de outro qualquer
hade-se pr primeiro o pezo, depois a carne, ou o que fr, por que se a
carne se pe em a mesma parte, requer muita fora de pezo para outra
parte para se endireitar.

E assim tambem nas medidas de vara, ou covado para se medir seda, ou
linho, ou panno de cr, se ha de medir sobre a meza, ou caixa, no nas
mos, porque estira, e se faz mais copia de varas, ou covados, do que so.

Quanto  medida do vinho, ou azeite que se mede em armazens e lojas
baixas leva mais que nas altas, a razo  por que toda a cousa se
pretende igualar, com o globo da terra, assim nas partes baixas faz o
azeite, ou vinho, cobril-o para cima, nas altas no; tanto  assim, que
para prova d'isto ponham um vaso que leve meia canada, ou mais sobre uma
meza, este cheio de vinho ou agua, ou azeite, da meza posto no cho, lhe
podem botar um vintm em moedas, moeda mansamente, todas levar sem
derramar gotta pelo motivo que temos dito.




Segredo 19.


Remedio para persevejos, piolhos e pulgas

Para persevejos, tomem-se umas poucas de brazas em um tsto, bota-se-lhe
dois ou trez pimentos vermelhos; posto o tsto no meio da casa onde
os houver, ou morrero ou se ausentaro.

Para piolhos, basta o summo da erva santa, untar com ellas trez noutes a
parte onde se elles criarem, que desapparecero.

E para pulgas, na casa onde andarem se botar uma pouca de hortel pela
casa, logo morrero ou se ausentaro.




Segredo 20.


Como se devem curtir as azeitonas de conserva para durarem

Devem ser as azeitonas mais sobre o verde, que sobre o maduro,  preciso
serem colhidas  mo da oliveira, nem varejadas, nem encorrilhadas,
deitadas na vasilha, se lhe botar agua simples, de modo que fiquem
todas cobertas; aos tres dias tira-se-lhe essa agua e deita-se-lhe
outra; assim continuando todos os tres dias na outra agua, se lhe botar
pouco sal, ouregos, cascas de limo sem amargo algum, porque o amargo
corrompe; ao tirar d'ellas ser com colher, no com a mo, e assim se
sustentaro por largo tempo.




Segredo 21.


De varias qualidades que ha no ovo

A primeira propriedade que tem,  ser a gema fresca e substancial, a
clara clida, e reimosa; cura humores viscosos.

O ovo  neutral, porque se o comer uma pessoa estando colerica e
agastada converte-se-lhe em outra tanta clera; se a pessoa est alegre,
converte-se em outra tanta alegria; e tanto  assim, que escreve um
auctor grave, que se um furioso continuar dois mezes pela manh, e 
noite, comendo duas gemas de ovos crus, tornar ao seu juizo; a razo 
porque o furioso  to contente de si que imagina que tudo  seu.

Para mais, o ovo que  cozido, de modo que fique duro ou forte, 
clido; em cru  frio, to frio, que bebendo-o pela manh, no vero, vai
contra a calma, e contra a enfermidade do figado.




Segredo 22.


Para fazer com que a agua do mar no seja salgada e poder beber-se

Tenho observado que para fazer a agua do mar dce, a pontos de se poder
beber, faro uma vasilha de cra branca bem tapada, e a mettero no mar,
que fique toda coberta, e a que fr entrando para dentro da vasilha,
perde o sal e fica dce, e o mesmo acontece se metterem uma vasilha nova
de barro, mas que tenha a boca bem tapada; com a mesma ser, porque a
agua tanto d que de pouco em pouco, l vae entrando para a vasilha at
estar cheia.




Segredo 23.


Para em pouco tempo se curar a diarrhea e dysentheria

Contra esta terrivel doena, tenho um segredo que vou dizer aos meus
leitores: s pessoas que depois de serem apoquentadas por este mal,
fazem remedios que de nada valem, por isso, se quizerem vr esse mal
fra do corpo, existe um meio de o fazer que  approvado:  o carvo do
doutor Belloc; tomar cada dia de tres a seis colheres de spa d'este
carvo, que em pouco tempo estaro livres do mal que os apoquentava.

Ao principio, parece impossivel que o carvo possa curar a diarrhea, mas
por muitos est experimentado, e sempre com bom effeito, por isso vos
recommendo este segredo.




Segredo 24.


De nossos concebimentos, da causa e porque os nascidos do oitavo
mez no vivem

O primeiro planeta chamado Saturno,  de sua natureza frio, secco,
melancolico, terreno; por isso os Astronomos o chamam _infortuna maior_,
porque a qualidade frio, e scco,  contraria  criao de todas as
cousas, supposto que seja por esta razo inimigo da natureza humana
emquanto terreno; acharam os philosophos o primeiro mez de nossos
concebimentos ser do dominio de Saturno, o qual no prejudica o geral,
porque ainda a materia no tem vida a qual, nos possa empecer.

O segundo mez  dedicado a Jupiter, o qual por ser de compleio
sanguinea e cria quente e humido, o qual sendo bom, e que convm 
creaco das cousas, chamaram-lhe os Astronomos _fortuna maior_; assim em
seu mez a materia se une, incorpora, e orna de espiritos vitaes.

O terceiro mez  dedicado a Marte, que  de compleio colerica, quente,
e scco; porque como a quentura  conveniente  creao das cousas, e
por outra parte a seccura a impedia, chamaram-lhe os Astronomos
_infortuna_; assim no terceiro mez a me sempre padece achaques porque a
creatura os padece.

O quarto mez  dedicado ao Sol, que supposto que seja clido, e scco,
comtudo  _luminaria maior_; emquanto luminaria, cria, augmenta e
corrobora.

O quinto mez  dedicado a Venus, que supposto seja de per si humida,
fleumatica, e fria, tem de certa participao de quentura, com a qual
favorece a humidade; por isso os Astronomos a chamaram _fortuna menor_;
porque ainda que no seja to favoravel como Jupiter,  comtudo
ajudadoura da creao de todas as cousas, por isso em seu mez, a me e a
creana esto livres de achaques.

O sexto mez  dedicado a Mercurio, que  planeta natural, participante
de todas as compleies, pelo qual em seu mez supposto que a creatura
est perfeita, capaz de vida, comtudo se n'este mez nascer, morrer
logo, porque como Mercurio seja neutral acommoda-se ao primeiro
principio que  Saturno assim--_mata_.

O septimo mez  dedicado  Lua, que supposto que seja planeta frio,
humido, fleumatico, e aquatico, comtudo emquanto _luminaria_ 
conveniente  creao de todas as cousas, assim vemos que os nascidos de
sete mezes vivem.

O oitavo mez torna a dominar Saturno o qual como temos dito  contrario
 natureza humana; assim no temos visto at hoje que o nascido, at ao
oitavo mez resista.

Ao nono mez torna a entrar Jupiter, o qual como temos dito  bom
planeta, em geral todos os que nascem n'este mez vivem.




Segredo 25.


Para sabermos dos meninos pequenos, a estatura que viro a ter
depois de grandes

O Sol divide os outros seis planetas em duas partes: tres acima, tres
abaixo; os tres de cima chamam-se _tardos_, por serem mais vagarosos em
seu movimento, assim tambem so chamados _masculinos_. Os tres de baixo
so chamados _femeninos velozes_, porque em seu movimento so mais
ligeiros, supposto que Mercurio, que est abaixo por ser masculino,
planeta natural e applicar-se com quem se acha, por ficar entre a Lua, e
Venus que so planetas femeninos, se conte tambem femenino como elles;
assim pois a Lua, Mercurio, Venus, que esto abaixo do Sol, por serem
_velozes_, representam os tres annos primeiros de nossa vida, tambem
Marte, Jupiter e Saturno, por serem _masculinos-tardos_, e estarem acima
do Sol, representam o resto da nossa vida, pelo que quem quizer saber a
estatura, que qualquer creana vir a ter depois de grande, na edade de
tres annos perfeitos, tomem-lhe a medida com uma fita estando a creana
com o corpo direito, o comprimento da fita que tiver da ponta da cabea,
at aos ps dobra-se, o que se achar, que faz a dita fita dobrada, ser
a estatura que a tal creana vir a ter depois de grande.




Segredo 26.


Para deitar fogo a uma pouca de estopa e no se queimar

Peguem na estopa, deitem-lhe um pouco de espirito de vinho, e ao mesmo
tempo deitem-lhe o fogo, que comea a arder e acabando-se o espirito se
apagar, e a estopa ficar sem se queimar. Mas devem ter cautella antes
do espirito arder todo, por causa de se no inflammar  estopa, que 
mais verdadeiro.




Segredo 27.


Para fazer estalar por baixo--divertimento de travessos

Tomaro folhas de espirradeira, cascas de castanhas, tudo muito queimado
e desfeito em p lhe juntaro pimentos que estivessem de calda de
vinagre, isto tudo em vinho branco: quem o beber no poder estar
calado.




Segredo 28.


Tambem de entertenimento e travessura

Se os leitores se quizerem rir e entreter, os que estiverem presentes
faro o segredo seguinte: Agarraro um rato vivo, e secretamente (para
ninguem lhes vr) deitaro agua-raz sobre o lombo e por todo esse bixo
menos nas pernas e cabea; depois apparecero diante de quem quizerem e
pondo o rato no cho agarrado pelo rabo, se lhe lanar o fogo com um
lume e o deixaro que comear a correr todo cheio de lume, e quem no
souber este segredo se admirar por vr uma pouca de lavareda a fugir de
umas partes para outras.

Depois de a agua-raz se gastar, acabar tambem a vida do rato.




Segredo 29.


Como se pde conhecer as enfermidades pelas ourinas

Todos os que na medicina tem escripto, fazem mais duvida em saber
conhecer doenas, do que em applicar os remedios, e a razo  que mal se
pde applicar medicamento salutiphero  doena que no  conhecida. 
porque nem todos os medicos, sabem este grande fundamento. Dos mesmos
authores de Villa-Nova tiramos a receita seguinte, que  to boa
como n'ella se ver, a qual  a seguinte:

A ourina de cr rosada demonstra saude, estado do corpo so, e boa
digesto.

Se a ourina fr menos rosada, supposto que demonstre saude, com tudo
isto no  to perfeito como se propriamente fra rosada.

A ourina de cr de cidra, quando o circulo d'ella  da mesma cr,  boa.
Tambem o , ainda que no seja de todo cr de cidra.

A ourina de cr vermelha significa febre simples que dura 24 horas;
salvo se o doente cuja tal ourina fr ourinar a miudo que  signal de
febre continuada.

A ourina acsa de cr de sangue demonstra sangue sobejo; logo  bom
sangrar-se, salvo se estiver a lua em signo _Feminis_, que domina nos
braos, pois ser prejudicial a sangria.

A ourina de cr verde quando sahe depois de vermelha, demonstra
inflammao;  perigosa e quasi mortal.

A ourina de cr vermelha escura demonstra declinao na doena.

A ourina vermelha misturada com algum pouco de negro, demonstra
esfalfamento e outros vicios do figado.

A ourina de cr amarella, demonstra fraqueza do estomago, impedimento de
segunda indigesto.

A ourina branca de cr da agua da fonte, demonstra aos sos, ter humores
crus; nas febres agudas  signal de morte.

A ourina cr de leite com a substancia espessa, se fr de mulher no 
to perigosa como a do homem pela indisposio da madre. E se acontecer
em febres agudas  signal de morte.

A ourina de cr de leite, escura em cima e clara debaixo da regio do
meio, demonstra hydropesia.

A ourina no hydropico, rosada, ou meio rosada,  signal de morte.

A ourina de cr azulada demonstra multido de humores corruptos no
fleugmatico e hydropico.

A ourina negra pde acontecer algumas vezes que a natureza  gastada ao
doente, o calor natural n'este caso  mortal, em outra maneira pde
acontecer expulso de materia venenosa que sahe pelas veias ourinaes.

A ourina que traz luz como lanterna, denota indisposio no bao, boa
disposio no que tiver quartans.

A ourina cr de aafro, quando est espessa, meia negra, que tem mau
cheiro e alguma espuma, demonstra etericia.

A ourina rosada, ou meio rosada, que na regio inferior traz umas
resolues redondas, brancas em cima, e um tanto grossas,  signal de
febre hectica.

A ourina clara no fundo do ourinol at ao meio d'ella, e a de cima mais
espessa, demonstra dr e inchao nos peitos.

A ourina escumosa clara, quasi meio vermelha, demonstra maior dr da
parte direita, do que da esquerda. Porm se a ourina fr escumosa
branca, demonstra maior dr na parte esquerda que na direita.

Se o circulo da ourina no bolindo com ella, parecer que bole de si
mesmo, demonstra decurso de fleugma, n'outros humores da cabea pelo
pescoo, n'outros nos membros.

A ourina delgada, amarella-clara, demonstra humor fleugmatico e grosso.

A ourina espessa de cr de chumbo, negra da regio do meio, demonstra
paralysia.

A ourina espessa de cr de leite, pouca em quantidade, grossas com
algumas espumas na parte inferior do ourinol demonstra dr de pedra, se
fr sem espumas espessas de cr de leite podre demonstra ventosidade.

A ourina espessa de cr de leite, em muita quantidade, demonstra gota
nas partes inferiores.

A ourina amarella na parte inferior, demonstra nos homens dr de rins, e
nas mulheres dr de madre.

Na ourina em que apparecerem alguns pedaos de leite, se fr pouco
turbada, demonstra rotura de veia junto aos rins da bexiga.

A ourina que no fundo do ourinol mostra sangue podre, demonstra podrido
dos rins e bexiga; se juntamente toda a ourina estiver tal, demonstra
podrido de todo o corpo.

A ourina onde se veem pedaos estreitos-compridos, demonstra desolamento
de bexiga.

A ourina que sae de vagar, cheia de argueiros como faz o sol, demonstra
pedra nos rins.

A ourina branca sem febre, demonstra nos homens dr de rins, nas
mulheres estarem prenhas.

A ourina de mulher prenha de um mez at trez deve ser mui clara, branca;
se fr de quatro mezes ha de ser parda, branca e grossa no fundo.

A ourina espumosa nas mulheres demonstra ventosidade no estomago, ardor
no ventre at  garganta.

E devem entender que as significaes das aguas, so mais vlidas
tomadas, vistas logo, do que depois que arrefecem, porque mudam a
substancia, mrmente no tempo do inverno, que com o frio se colham.




Segredo 30.


Das virtudes e effeitos da genebra

A genebra tem muitas virtudes, mas especialmente para quem se costuma a
agoniar do estomago, e nas indigestes. Logo que qualquer pessoa se ache
incommodada com qualquer d'estas doenas, tomem meio quarteiro de
genebra, mas para melhor effeito ser da hollandeza, porque  mais
approvada, e com isso logo ficaro livres d'essa afflico, porque alm
de vos parecer que no tiram resultado, vos affiano que  engano;
porque eu que vos descubro este segredo, em diversas occasies tenho
feito uso d'essa bebida e sempre com bom resultado, segredo este que
nunca me esquecer porque me tem valido  minha vida, e as suas
virtudes, para todos so proveitosas, por isso todos os elogios so
poucos para remedio to efficaz.




Segredo 31.


Os effeitos do alecrim da India

Estou informado de um segredo muito prestavel, para quem padece dres de
cabea que  remedio que dou por approvado e muito economico.

Em um testo botaro umas poucas de brasas acezas, e depois pegaro em
umas poucas de folhas de alecrim da India, e botaro as folhas em
cima das brasas; depois de ellas botarem bastante fumo lhes deitaro uma
ona de assucar; pe-se a cabea do paciente a tomar aquelle fumo, isto
 dous palmos acima das brasas para evitar da muita quentura, que
fazendo isto oito noutes ao deitar da cama, se acharo melhor, porque
assim como eu fiz e achei bom resultado, tambem me parece que o meu
semelhante que padecer da mesma doena tambem o achar se isto fizer
como explico.




Segredo 32.


Para que o vinho estragado torne ao seu ser

Pegaro em uma duzia de laranjas maduras, daro em cada uma tres ou
quatro golpes como quem retalha azeitonas, assim as botaro pelo batoque
da pipa, botal-as-ho em pedaos, e d'ahi por oito dias botaro uma
canada d'agua-ardente fina, e depois d'isto feito em passando 15 dias
vo proval-o que estar bom vinho; mas advirto que a pipa dever estar
em sitio fresco, porque os vinhos para se conservarem no querem lugares
abafados.




Segredo 33.


Para tirar o mau cheiro s vasilhas de madeira e dar cheiro ao
vinho que n'ellas botarem

Tira-se um tampo  vasilha e mette-se dentro um testo cheio de brasas e
depois bota-se-lhe nas brasas um vintem de cravo da India, dez reis de
canella e um bocado de ps, abafa-se a vasilha com o tampo para que este
fumo se entranhe na madeira, e sair-lhe-ha o mau cheiro, e a vasilha
ficar cheirando sempre bem.

E para que o vinho que se recolher n'estas vasilhas seja bom de cheiro,
ao tempo que quizerem recolher o vinho cosero uma pouca de palha de
cevada em uma caldeira de agoa, e assim fervendo se bota smente a agoa
na vasilha, enxuga-se-lhe, tapa-se com o batoque para que tome esse
soadouro, que depois o vinho que n'essa vasilha se recolher ter bom
cheiro.




Segredo 34.


Para fazer o vinagre forte

Faz-se um molhinho de ortel, que peze uma quarta, atado com um cordel
mette-se pela boca da pipa que tiver o vinagre de modo que a ortel
fique mettida dentro no vinagre ficando o cordel de fra, e d'ahi a
sete ou oito dias tirem-lhe a ortel e ficar o vinagre fortissimo.

Se ainda no tiver a fortaleza que queriam, tornaro a fazer igual
operao, que ao fim dos segundos oito dias estar mais forte.




Segredo 35.


Para fazer vellas de sebo que no cheirem a elle

Para as vellas de sebo no cheirarem a elle e parecerem de cra e que
durem mais, ao fazel-as se ter uma pouca de cal virgem bem peneirada,
cada camada de sebo que se botar na frma se lhe botar duas mos ou um
punhado de cal accesa por toda a forma; as vellas que assim se fizerem
parecero de cra, sem terem cheiro de sebo, e duraro muito mais porque
a cal tem a virtude de lhe dar a cr como a de cra, e conservar o sebo
a arder sem se desfazer to facilmente.




Segredo 36.


Para o vinho no fazer mal ao homem

Este segredo vos vou descobrir, mas ser bom que vos no seja preciso,
porque o entendimento da creatura bastar para o evitar. Porm se
acontecer essa bebida a fazer-vos mal  cabea ser bom comer os boxes
assados de uma ovelha, antes de comerem mais cousa alguma. Se quizerem
antes de beber o vinho que elle lhe no faa mal comero beras com
vinagre, que assim no lhe far mal, mas eu entendo que ser bom no
seja preciso estas cousas; e quando se beber o vinho no se bebe
demasiado, para no arruinar a saude, um dos bens que o vivente tem
n'esta vida. Se ha quem diga que bebem vinho porque no podem deixar de
o fazer, porque  um vicio, ahi vae um segredo tambem para perder esse
vicio: Metam duas enguias vivas dentro de uma canada de vinho, e tapem a
vasilha e quando estiverem mortas tirem-as, e os que costumam tomar-se
da pinga bebam d'este vinho que depois o aborrecero completamente.
Tambem serve para este effeito a bretonica feita em p e bebida em vinho.




Segredo 37.


Para que um cavallo parea manco sendo so

Secretamente arrancar-lhe-ho uma seda do rabo dobrada atal-a-ho entre
o casco e os cabellos aonde chamam os machinhos, ficando mettida entre a
seda e os machinhos um gro ou dous de cevada estando bem apertada,
faro andar o cavallo que elle ir a mancar de um p ou de uma mo,
porque o gro de cevada causa-lhe incommodo nas juntas das pernas e o
animal mancar porque o no pde deixar de fazer. Depois d'este
segredo assim feito, tiraro o gro da cevada que o cavallo tem, que
ficar andando direito e causar admirao a quem o viu manco e em pouco
tempo andar so.




Segredo 38.


Para refinar a polvora

Muitos costumam refinar a polvora com limo e outras cousas, mas em vez
de a refinar quasi que a estragam; porque a prova d'isto, tenho visto
fazer uso de polvora ordinaria; o melhor segredo para a refinar , tanto
de vero como de inverno, borrifal-a com agua-ardente muito fina,
secando-a depois, que este espirito d-lhe toda a fora precisa para que
ella produza bom effeito. Sei isto por a experimentar e tirar bom
resultado.




Segredo 39.


Para quando uma mulher parir se conhecer se o parto seguinte, se o
houver,  macho ou femea

Quando uma mulher parir, se quizerem saber o que a mesma mulher parir
no parto seguinte, pela criana que teve o podem conhecer; nada mais 
preciso do que vr a cora do nascido; se o redemoinho que trazemos
de cabellos estiver bem no meio da cabea, sendo um s redemoinho o
parto que se seguir ser macho, e sendo dous os redemoinhos, ou sendo um
s e declinar para qualquer dos lados, o parto que se seguir ser femea.




Segredo 40.


Para se saber das virtudes da ortemija

A ortemija  uma herva, que quem fizer um molhinho d'ella e a trouxer ao
pescoo, junto ao corao, ter mais animo e maiores foras. E esta
herva, moda e bem desfeita, deitada em um pouco de vinho e bebida, para
a pessoa que estiver canada d-lhe logo muito mais foras por ser uma
bebida muito mais substancial; qualquer caminhante que fizer uma jornada
a levar tambem comsigo porque tem a virtude de se no canar tanto e
andar mais caminho, que essa virtude  um dos astros que a concede a
esta herva, assim como tambem serve para espantar as moscas de qualquer
casa, se a cozerem com leite de cabras, e depois de bem cozida untaro
as paredes com esse leite, que ellas por causa do cheiro fugiro.




Segredo 41.


Da monstruosidade da natureza

A monstruosidade da natureza  de duas maneiras: uma d'ellas  aquella
que se deixa logo vr em nascendo a creatura, e a outra a que se
descobre por tempo. A que se deixa logo vr,  quando a creatura vem com
mais ou menos abundancia de membros dos ordinarios, ou trazendo dos
ordinarios,  algum d'elles semelhante ao de algum animal irracional;
aquelles que trazem mais ou menos membros, de ordinario pde acontecer
pela gerao ser feita no bicorporeo, como so Geminis, Virgo,
Sagitario, Piscis, assim tambem aos faltos de membros pde acontecer,
por falta de materia, ou pelos signos moveis estarem infortunados, os
quaes so: Aries, Cancer, Libra, Capricornio; os que trazem de algum
animal tambem pde ser de duas maneiras ou de ajuntamento com o mesmo,
ou no tempo do concebimento concorrer a me com o pensamento em algum
animal.

Da monstruosidade que a natureza descobre com o tempo, se ha-de entender
d'aquelles que so demasiadamente grandes do corpo, ou demasiadamente
pequenos, fra da proporo que adiante se dir, ou tendo grande corpo
tem disforme a cabea de pequena, ou sendo pequeno tem a cabea
demasiadamente grande, ou sendo demasiadamente grande do corpo,
demasiadamente pequeno com demasiada grossura, porque d'estas
montruosidades se pde conhecer a differena que ha dos compostos em
proporo perfeita; da natureza temos a seguinte:

Tres cousas ha por onde isto se conhece; a primeira , que a verdadeira
proporo do homem tem na estatura sete palmos e meio de vicio da
natureza, o mais que se d so sete palmos a maior, o menor seis palmos,
que a estatura do maior de nove palmos, e o menor de seis se tem por
monstruosidade.

A segunda cousa por onde se conhece a verdadeira proporo , que posto
um compasso com uma ponta entre as sobrancelhas e outra na ponta do
nariz tornando o compasso para baixo chegar  superficie da testa na
raiz do cabello, com o mesmo compasso sem mais fechar nem abrir, posta
uma ponta no nariz por baixo das sobrancelhas tornando-o a uma e outra
parte chegar aos lagrimaes dos olhos de cada um d'elles, dando volta
chegar a orelha, advertindo que os dous compassos dos lagrimaes s
orelhas, da ponta do nariz  ponta da barba, estes tres so eguaes, mas
so maiores do que os outros de que temos tratado, que  de entre as
sobrancelhas  raiz do cabello,  ponta do nariz d'estes ha-de haver em
todo o corpo desde a raiz do cabello at aos ps vinte e sete compassos
dando ao rosto tres, e ao demais corpo vinte e quatro; esta  a regra
que guardam os imaginarios que  dar a um corpo quantidade de nove
rostos, contando inclusiv o mesmo.

A terceira : que em ausencia da mesma pessoa se lhe possa fazer todo o
genero de vestidos, calado, to justo como se estivesse presente, o
qual se far d'esta maneira: vr-se-ha uma luva, que a pessoa calce
justa com uma fita se tomar a grossura do dedo polegar pela raiz do
dito dedo, a qual medida dobrada far o bocal da manga do casaco ou
roupa, a medida do bocal da manga ser dobrada, a medida do cabeo
dobrado, faz a medida da cintura; a da cintura dobrada em tres
teros, um tero at ao comprimento de um quarto do casaco, o outro
tero com uma mo atravessada da mesma luva, faz o comprimento da manga;
o mesmo tero com a mesma mo atravez, faz o comprimento da cala, o
ultimo tero faz todo o comprimento da bota, cujo p ser de um palmo da
mesma luva, juntando-lhe mais o que houver do dito dedo polegar da luva,
da junta do meio at  extremidade, isto do p; dois teros dos ditos
ps fazem capa at ao joelho, os mesmos dois teros, sendo mulher lhe
faz a casaquinha e os tres teros lhe fazem a saia, os mesmos tres
teros com mais tres palmos de luva lhe fazem manto e casaquinha, manga
e corpinho, e o mesmo que acima temos dito. A pessoa que com estas
medidas lhe fizerem a roupa que venha conforme e justo, poder dizer que
 conforme a proporo da natureza, sem que falte cousa alguma, sendo a
proporo de sua estatura o que temos dito; resta pois que suas obras
sejam taes, quaes convem para ser mais perfeito. Os que carecem d'esta
composio lhes convem fazerem taes obras, que com a perfeio d'ellas
fique satisfeito,  proporo do corpo.




Segredo 42.


Bons effeitos do alecrim

O alecrim tem uma natureza que  quente, secco e cheiroso, e por isso
fortalece todas as partes e membros de dentro e de fra do corpo, alegra
e fortalece os sentidos, consome as humidades, frialdades, e todos
os males contagiosos.

O alecrim no consente melancholias, tremores nem desmaios no corao,
cujas raizes, ramos, cascas e flores d'essa excellente herva tem todas
as virtudes, as quaes diremos com ajuda de Nosso Senhor Jesus Christo e
proveito da humanidade.

Os olhinhos mais tenros do alecrim, comidos pela manh, com po e sal,
fortalece a cabea, conserva a vista clara, aguda e forte.

A flor e folhas da mesma herva feitas em p e trazida no seio, afugenta
os tres inimigos do corpo, que tanto affligem o corao, que so elles:
as pulgas, piolhos e persevejos.

Os mesmos ps no seio do lado esquerdo, espantam a melancholia e ao
corao fazem-lhe muita alegria.

As folhas da mesma herva bem mastigadas e postas sobre uma chaga fresca,
a curam, e fecha maravilhosamente.

A flor da mesma, comida pela manh com mel da mesma flor e um bocado de
po quente, faz muito bem  saude: nem deixa gerar sangue podre, nem o
mal da gota; e se alguem tiver mal, essa herva lh'o tirar.

O alecrim serve para afugentar todo o animal venenoso, e o seu fumo
serve contra todo o mal e pestes.

Os ramos do mesmo, tambem servem para depois de queimados e feitos em
p, fortalecer dentes e no lhe deixar criar bicho, nem constipaes.

Toda a mulher que tenha uso de comer a flor do alecrim em jejum com po
de centeio, no padecer mal da madre, porque lhe reprime os maus
humores, gasta as humidades, e cura os achaques a todas as pessoas que
assim usarem.

A flor da mesma herva, mettida em qualquer sitio onde estiver roupa, no
deixa entrar a traa na mesma, e d-lhe muito bom cheiro.

Se lavarem o corpo com a agua, devem cozer muito bem o alecrim e se
conservaro com boa saude.

As casas que so escuras e muito humidas, se as defumarem com alecrim a
miudo, conservar-se-ho enxutas.

Um segredo para as quebraduras, j experimentado, so as alfarrobas
verdes, pizadas e applicadas sobre as quebraduras, que as curam e soldam.

Se tiverem dres nas juntas por causa de algum refriado e as lavarem com
agua onde se cozesse alecrim, lhe tirar a dor.

No tempo da peste  muito proveitoso queimar alecrim pelas casas e nas
ruas, por que afina o ar e faz fugir a peste.

Estas virtudes do alecrim, acabarei de ser to extenso como pede este
bem para a natureza e tudo deixarei dito da maneira seguinte:

Mel virgem de alecrim serve, tira nevoas dos olhos.

O summo do alecrim lanado nos ouvidos, tira a dr.

O summo do mesmo tomado pelos narizes, tira o mau cheiro e sana todos os
males que dentro d'elles estiver.

Um segredo provado e experimentado, a agoa do alecrim pr-se ao sol,
ser para os olhos que tem belidas, cataratas, ou que esto ennevoados.
Faz-se esta agua da maneira seguinte: um bom mlho de alecrim verde e
colhido de fresco, pe-se dentro de um ourinol novo de vidro com as
pontas para baixo, no devem chegar ao fundo, tapa-se com um panno de
linho dobrado, e em cima d'este panno pe-se um bocado de fermento
que tome toda a boca do ourinol, e em cima do formento pe-se outro
panno dobrado, e ata-se muito para que no saia bafo algum, pe-se o
ourinol ao sol em tempo de calor 6 at 8 dias e d'alli se far uma agua
muito importante para os olhos. Quando essa agua estiver prompta,
deve-se lanar em uma vazilha pequena e se ter ao sol e ao sereno
outros tantos dias, que depois a agua que era branca, torna-se amarella
e grossa, na qual se desfar um pouco de assucar de pedra e d'esta agua
se lanaro nos olhos tres pingas, em cada um uma vez pela manh, outras
ao meio dia, e outra  noute, e por favor de Deus sararo.

Mulher que tiver pouco leite, no pde criar os filhos com as folhas e
flores de alecrim, que lhe causar abundancia de leite bom, porque
purifica o sangue.

O summo do alecrim misturado com assucar e tomado de manh e ao deitar
da cama faz bem s afflices do peito, ajuda a digesto e mitiga o
apetite de comer.

A flor e as folhas em ps servem para a dr do bao e do figado
tomando-as em vinho e mel.

As folhas e flores da mesma herva fervidas em vinho tinto e bebido faz
muito bem  dr de tripas, tira a cobia e a dezinteria.

Tambem servem os mesmos ps bebidos no mesmo vinho para quem padecer
defluxo da ourina, por debilitao ou fraqueza, isto  approvado mas
devem ser cozidas as folhas e flores em vinho do mais velho que fr
encontrado.

Para quem no tiver apetite de comer, tome pela manh duas ou tres
colheres de sopa, de vinho fervido com alecrim, que lhe abrir a vontade
de comer e lhe far fortaleza no estomago.

Alguns auctores so de opinio, que a triaga  o remedio da peonha;
mas o alecrim cozido lhe faz o mesmo effeito.

Finalmente o alecrim cozido em agua tem todas estas virtudes que se
seguem tomando bastantes banhos d'essa agua, chama-se o banho da vida,
porque tira a dr das juntas e de todas as mais partes do corpo, 
remedio para a canceira, para a suffocao do corao, d alento e vigor
 velhice, conserva a mocidade, fortalece os membros e aviva os sentidos.

Aqui deixo por isso escripto aos meus leitores, em estas poucas linhas
todas as virtudes d'esta planta chamada alecrim, que to bom proveito
tenho tirado d'ella e estou por certo que quem d'ella fizer uso como eu
o tirar e se conservar limpo, de tantos achaques que affligem o corpo
humano.




Segredo 43.


Para a azia

A azia, alm de ser uma molestia pouco impertinente quando ataca a
creatura causa-lhe um pouco de desarranjo na garganta, e  o que basta
para nos incommodar, e como no ha quem goste de incommodos, temos um
segredo pelo qual em um instante fiquemos alliviados da garganta, 
segredo economico, barato, pois se algum de vs tiver azia  s pegar em
uma cebolla: tem poder para a fazer sahir. Se houver quem no goste
d'este objecto dou-lhe tambem por approvado: comero amendoas
amargosas que tambem ficam livres d'esse mal.

Assim tenho feito sempre e encontrei bom resultado, por isso d'estes
dois segredos o que primeiro me apparece,  d'esse que eu fao uso.




Segredo 44.


Para os meninos pequenos se criarem, de modo que sejam mais
encorpados e de mais foras

Muitos homens ficam pequenos de corpo e de poucas foras, porque as mes
e amas lhes tiram os braos de fra antes do tempo, e assim como so
tenros, bolindo com os braos se relaxam os membros e assim ficam mais
fracos e debilitados, por isso quem quizer criar a criana, de modo que
fique largo das espaduas e com muita fora nos braos no lh'os deve
tirar fra, quero dizer vestidos, seno de trez mezes por diante, assim
ficaro sendo mais corpolentos e forosos, porque se vo criando com
todas as foras da sua natureza, cujas foras no lhe abrandam tanto,
como se forem criados como acima disse.




Segredo 45.


Para conhecermos se qualquer homem nasceu de dia, ou de noute, ou
no crepusculo

A pessoa que tiver as orelhas despegadas da cabea pela extremidade de
baixo, fazendo as pontas rombas, despegadas ou levantando os olhos
direitamente, se levantar mais o olho esquerdo que o direito, diremos
que nasceu de dia; se as orelhas pela parte debaixo forem ponteagudas
sempre pegadas no casco da cabea ou levantando os olhos direitamente, e
se levantar mais o direito que o esquerdo, assim diremos que nasceu de
noite.

Se um d'estes signaes mostrar que nasceu de dia, outro que nasceu de
noute, o tal diremos que nasceu no crepusculo: chamamos crepusculo de
pela manh tanto que vem rompendo a alva, e dura at que nasce o sol, o
crepusculo da noite conta-se desde que se pe o sol, at que se cerra a
noute.




Segredo 46.


Da ethmologia dos dedos das mos

O dedo mais curto e grosso da mo chama-se polex, de que se deriva
poder, porque sem elle no se pde apertar cousa alguma na mo, que
firme fique, n'este costumam os mercadores trazerem os anneis, dando
a entender o muito que podem valer com seus reales.

O dedo logo seguido se chama index, que quer dizer amostrador, porque
nos serve de mostrarmos aquillo que queremos; n'este costumam os medicos
trazer os anneis, dando-nos a entender que elles so index, pelos quaes
nossa saude se governa.

O terceiro dedo se chama mdio, ou maior, pelo ser, mdio por estar no
meio de todos, n'estes costumam os soldados trazer os anneis,
significando fortaleza e esforo.

O quarto dedo se chama annular ou dedo do corao, porque elle vem a ter
uma veia que passa pelo corao. Como o ouro  metal agradavel  vista
de todas as pessoas, em geral  costume pr os anneis n'este dedo para
evitar a melancholia e outras paixes que acodem ao corao. Muitas
pessoas costumam usar de anneis, mais pela tradio antiga, que pela
razo atraz escripta. Quem trouxer n'este dedo um annel com uma pedra de
Jacintho fina, que a toque na carne, no  to smente bom para a
melancholia, pois tambem tem outras propriedades boas.

O quinto dedo se chama minimo ou auricular: minimo, pelo ser, auricular,
porque com elle costumamos limpar as orelhas. N'este dedo costumam
trazer os anneis as pessoas illustres, dando assim a entender quem so,
e no pela valia do ouro.




Segredo 47.


Da causa das nossas enfermidades, e com a ajuda de Nosso Senhor as
podemos remediar

As quatro compleies de que fomos formados comnosco, assim como uma
meza com quatro ps, que sendo todos eguaes e direitos, em plano, est
quieta e segura, porm se algum d'elles se levanta ou quebra e  mais
comprido, isto s  bastante para que os outros tres com a meza venham
ao cho, da mesma maneira a clera, sangue, fleuma, e melancholia, cujas
quatro compleies de que somos compostos esto eguaes conforme  saude
no corpo, porm tanto, que alguma d'ellas se altera ou sobrepuja s
outras, causa no corpo a doena conforme sua qualidade. Porque da clera
se causam tabardilhos, frenesis, febres malignas, e outras enfermidades
semelhantes.

E do sangue se geram dres de costas, de cabea, pontadas e outras
semelhantes da fleuma, dres de tripas, humidades no estomago, dres de
madre, colicas, apostemas, e outras semelhantes. E da melancholia se
geram tristezas, humores viscosos, tremulos, gota e outros semelhantes.

E supposto que segundo nossa santa f aos sonhos no se pde dar
credito, por no terem razo nem fundamento algum, so smente
phantasmas que se representam no entendimento, estando uma pessoa dormindo.

Todavia se alguma das quatro compleies se altera do corpo, causa que
os taes phantasmas tenham alguma correspondencia, a qualidade da dita
compleico, assim sabendo que seja se pde remediar com defensivos,
que  tal compleio alterada applicam.

Pelo que se a pessoa sonhar com o fogo ou arma e outras cousas que
incitam a clera,  signal que a clera predomina, segundo ella se lhe
pde dar remedio.

E se o sonho fr de pescarias ou embarcaes, cousas que pertenam 
agua predomina a fleuma.

E se sonhar com prises, mortes, ou outras cousas que incitem tristezas,
perdomina melancholia conforme a ella se lhe applicar remedio.




Segredo 48.


Para o fogo no queimar

Pegaro em 20 reis de alteia e depois de a fazer em p a botaro com uma
clara de ovo em uma tigela e com essa mistura untaro as mos ou outra
qualquer parte que quizerem, que depois d'isto feito no se queimaro.




Segredo 49.


Do tempo que  salutifero cada um dormir segundo a compleio que
tiver

Temos a notar que as compleies atraz declaradas tem aquelles
effeitos em quanto distinctas, mas pela mistura d'ellas formam outras
quatro compleies, que so as do temperamento, colerica, sanguinea,
fleumatica, melancholica. Da do temperamento no trataremos, porque no
 possivel havel-a, que onde ha temperamento no ha alterao e no pde
haver doena. Assim tambem se ha de notar, que o dormir  parte mui
essencial para o cosimento do estomago: porm convm a cada um para sua
saude tomar o somno conforme a qualidade da sua compleio. Porque os
puramente colericos pela muita quentura que tem, basta-lhes dormir cinco
a seis horas: os colericos sanguineos basta-lhes cinco e meia a seis e
meia; os puramente sanguineos basta-lhes seis a sete; os fleumaticos
bastam-lhe seis e meia a sete; os puramente fleumaticos, bastam-lhe sete
a oito, os fleumaticos melancholicos bastam-lhe sete e meia a oito e
meia; os puramente melancholicos bastam-lhe oito a nove.

E tudo o que passa d'esta regra  prejudicial  saude, porque tanto se
perde por carta de menos, porque assim como no dormir inquieta o corpo,
o me e debilita, assim o dormir muito causa gota e outras enfermidades.
Note-se tambem que os colericos, pela muita quentura que teem, lhes 
prejudicial  saude soffrer fome; mais ou menos, comer  melhor.




Segredo 50.


Para fazer levantar um ovo ao ar deante de gente

No mez de maio colhero em uma horta uma ambula de orvalho, guarda-se em
parte onde lhe no d o sol, e quando quizermos fazer o que acima fica
dito, com um alfinete grosso fura-se um ovo e chupando-o pelo mesmo
buraco, o enchero de orvalho, e taparo o dito buraco com um bocadinho
de cra branca, collocando-se o dito ovo  vista de todos em parte onde
lhe d o sol, e assim como o ovo fr aquecendo se ir levantando e
subindo at desapparecer. Quem quizer que este mesmo ovo lhe sirva para
mais vezes, ate-o a um cordel na ponta de uma lana, e que seja o cordel
to comprido como ella, ficando a lana no cho. Com uma linha ataro o
ovo no cordel, posto ao p da banca em parte onde lhe d o sol, e quando
aquecer subir pela lana acima e assim estar no ar, at o tirarem,
emquanto estiver quente, porque quando o sol d'aquelle sitio fr
desapparecendo, o ovo vae arrefecendo, e conforme fr arrefecendo assim
vae cahindo para o cho; por isso lhe devem acudir a tempo para se no
quebrar.




Segredo 51.


Para queimar um leno e ficar so

Secretamente molharemos um leno em aguardente de cabea; trazendo-o
diante dos circumstantes mandaremos vir uma candeia acesa e tomando o
leno por duas pontas para ficar estendido lhe mandaremos deitar fogo, e
como fr inflammando andaremos com elle ao redor por espao de um minuto
 vista dos circumstantes e logo o sacudiremos e apertaremos entre as
mos para que se apague o lume; tornando-o a estender o mostraremos aos
circumstantes to so como era antes de se lhe botar fogo.




Segredo 52.


Para que as mulheres sem postura paream melhor e tenham melhor
cara com menos custo

Entre outras cousas que entre ns ha mal feitas so duas, as quaes nos
do notavel prejuizo  saude: a primeira  quererem os homens mostrar
que calam pequeno p, mandando fazer menor sapato, do que pede o
p, assim continuando vem a ser gotosos; por conseguinte as mulheres que
usam posturas perdem os dentes, mais depressa se arusgam e outras muitas
desgraas se seguem d'aqui.




Segredo 53.


Para mostrar aos circumstantes um brao atravessado com uma faca
sem prejuizo algum

Faz-se uma faca de duas metades ligadas uma  outra com uma mola e ser
feita de tempera branda, que se alargue e aparte o que a pessoa quizer;
esta mola mettida pelo brao acima por baixo do casaco ou camisa,
apertada a manga junto  faca, e feito isto secretamente sahir aos
circumstantes, mostrar-lh'a, parecer o brao estar passado pelo collo
da mo.

Adverte-se que a feitoria da mola d'esta faca  necessario seja de modo
que se aperte e alargue.




Segredo 54.


Para fazer tinta de qualquer cr com facilidade, e as letras que
esto em papel quasi safadas se acharem a ponto de se lerem

Deve haver tinteiro separado para cada tinta, para que uma no corrompa
a outra.

Para fazer tinta vermelha, pizam-se flores de papoula, espremidas, o
sumo que deitarem, coado, posto um pouco ao sol, para que engrosse e no
corra tanto, se faz tinta vermelha bastantemente.

Para fazer tinta verde, faz-se a mesma operao com os concelleiros que
nascem pelas paredes, e da mesma maneira ficar tinta verde.

Para a tinta roxa, do mesmo modo se far da flor do lyrio.

Para tinta amarella, egualmente se faz com flr do pampiro.

E assim para qualquer outra tinta que quizermos fazer, buscaremos a
herva da cr da tinta que quizermos fazer, e do mesmo modo que fica dito
se far.

E para fazer que as letras que esto em papel que mal se enxerguem por
estarem gastas pelo tempo se possam lr, se molhar um panno de baeta em
ourina fresca, levemente se esfregam as letras com elle, que depois se
podero lr.




Segredo 55.


Para tirar nodoas de azeite e pingos de cra de toda a qualidade
de pannos

Para tirar nodoas de azeite amassaro um bocado de barro vermelho, que
no fique muito espesso, e da parte do avsso que quizerem tirar as
nodoas, cubra-se toda a nodoa com este barro, e da parte direita se
ponha sobre a nodoa uma folha de papel alinhavada, de modo que se chegue
o papel ao panno, e posto a enxugar at o barro estar bem secco, logo se
esfrega, e tirando-se-lhe o papel ficar a nodoa fra. Este remedio 
bom principalmente para panno de cr;  bom lavar em agua de pescada.

E tambem para tirar a nodoa do panno se cobrir a nodoa com sabo e por
cima do sabo botar um pouco de sal, pondo ao sol por espao de um
quarto de hora e lavando a nodoa, logo se tirar.

Para tirar pingos de cra, estando em sda, tosta-se uma fatia de po
trigo, e assim quente se pe em cima da cera que a attrahir a si.

Se fr em panno de cr, bota-se um testinho no lume, e estando bem
quente se tira, embrulha-se em um papel, esfrega-se com elle no lugar
onde est a cra, e assim logo sahir e o panno ficar limpo.




Segredo 56.


Do modo mais facil de fazer dce a agua do mar

Se quizerem fazer uma canada em pouco tempo, de agua do mar para ficar
dce, tome-se um pote novo, metta-se-lhe dentro uma pedra que peze
quatro ou cinco arrateis, tapa-se-lhe a bocca com uma rolha de cortia,
bem justa, atando o pote por um cordel, se botar o dito pote no mar,
mansamente, para que a pedra no quebre, e d'ahi a tres ou quatro horas
o tiraro, tirando a rolha ao pote, acharo dentro d'elle uma canada de
agua dce como a da fonte; a razo por que a pedra se mette  para que o
pote v ao fundo do mar, para a agua tomar a virtude que se pretende.




Segredo 57.


Das regies do ar e da terra

Como no segredo adiante havemos de tratar das qualidades da agua dce,
necessariamente  tratarmos primeiro da terra, por cuja razo se faz
dce, e do ar a que ella sobe.

Os mathematicos que tenham observado cometas, os quaes se fazem entre a
regio do fogo e do ar, acham ter este corpo aereo, trinta e quatro
leguas, dous teros, estes se repartem em tres regies; a primeira
que  esta que gozamos temperada por razo dos raios do sol que do na
terra, reverberando para cima aquentam, temperam at duas leguas e meia
para cima, esta regio  mais palpavel, porque n'ella andam as aves, e
n'ella respiram todos os animaes terrestres, racionaes e irracionaes. A
segunda regio  summamente fria mais pura que a primeira, em tanto que
as aves subindo a ella no se podero ter nem respirar no principio
d'esta regio, esto em deposito as aguas que chovem, que sobem do mar
vapores da terra, aguas sobem, at ao meio da dita regio, congelam-se
em neve, e se mais acima forem, congelam-se em pedra, assim como esta
primeira e segunda regio occupam para o alto oito leguas e meia, as
mais que faltam para trinta e quatro leguas, dous teros occupa a
terceira regio, a qual pela parte proxima a segunda  fria, e pela
parte de cima por estar  regio do fogo  calidosissima; n'esta se
fazem todos os troves, raios e cometas. Assim tambem a terra se parte
em tres regies, para que no parea desordem brotaremos o gosto d'ella,
proval-o-hemos por regras grammaticaes, as quaes so pela circumferencia
ou superficie de um globo, saber-se a grossura d'elle, quero dizer seu
diametro, ou peso diametro de uma cousa, vir em conhecimento da
superficie d'ella guardando a regra seguinte.

Que sabido o diametro de qualquer circulo, este multiplicando partes, um
setimo; o que tudo sommado ter de circumferencia a superficie, por
conseguinte sabendo a circumferencia, esta, partida por tres um setimo,
o que vier  partio far o diametro, assim, vinte e dous palmos de
diametro, nos do sete palmos de circumferencia, pois temos sabido assim
pelas dimenses geometricas, como das experiencias de homens do mar
ter a terra em redondeza, seis mil e trezentas leguas; iremos  regra de
tres, dizendo se vinte e duas leguas de circumferencia nos do sete de
diametro, seis mil e trezentas de circumferencia da terra quantas nos
daro de diametro, vir a partio de duas mil e quatro leguas e meia,
assim diremos ter a terra de grosso, duas mil quatro leguas e meia que
partidas pelo meio vem duas mil duas leguas e um quarto de legua, tanto
ha da superficie ao centro da terra, que  o meio de toda a grossura.

Estas mil duas leguas e um quarto se repartem em tres regies, a
primeira das quaes a da superficie para o centro duas leguas e um
quarto, ou posto que a terra em si seja summamente fria, secca e pesada,
esta primeira regio  temperada pela razo que temos dado da impresso
que fazem os raios do sol n'ella, n'esta regio se criam as exhalaes
que com a fora do sol chamadas para cima se acertam de cahir por terra,
pela resistencia que lhe pem ao cair, causa para ella tremer que 
haver em algumas ilhas e outras partes tanta calidade na terra que no
vero com a fora do sol abrem grandes concavidades, as quaes vindo o
inverno, pela razo que acima dissemos, se tornam a fechar.

A segunda regio que  de duas leguas e um quarto, seis leguas para
baixo n'esta regio, a superficie d'ella  o principio da creao do
ouro e mais metaes mineraes, d'ahi vem botando para cima por veias canos
a modo de arvores, assim a raiz do ouro principia n'elle e na segunda
regio.

A terceira regio  de oito leguas e um quarto, que occupam a primeira e
segunda regio para baixo at ao centro, esta ultima regio, 
summamente pesada, fria e secca;  incapaz de criar cousa alguma, no
intimo interior da qual est o inferno de que Deus nos livre.




Segredo 58.


De dous medicamentos que se usam entre os rusticos

Quando alguma pessoa do campo se sente com qualquer mal que seja, cose
um bocado de carqueija e bebem aquella agua, e deitados na cama se
abafam para suar, e com isto lhe faz Deus algumas vezes de lhe abrandar
o mal.

O segundo  que para maleitas dizem ao enfermo que d a ourina para
mostrar ao medico, com ella do uma volta fingindo que vo buscar um
xarope e em lugar d'elle lhe do a beber a mesma ourina e com este
remedio continuam oito dias, e  com este mesmo remedio que se lhe vo
embora as maleitas.




Segredo 59.


Para fazer acreditar aos presentes que conhecemos as cartas de
jogar pelo cheiro

Ha-de vir a terceira pessoa, a quem tenhamos dado conta d'isto, logo
faremos pr a mesa e diremos que nos tapem os olhos, e nos sentaremos, e
defronte de ns a pessoa em que nos fiamos, e logo pediremos cartas,
perguntando que  o que querem que d'alli se tire, se a primeira de
quatro ou o que quizerem, logo indo tirando carta por carta, e cheirando
cada uma d'ellas pelas costas de modo que o que ha-de avisar veja que
cartas so, assim tirando-as iremos pondo uma por uma na meza em tanto
que nos venha alguma das que nos tem pedido a pessoa a que temos
communicado o segredo, por o p sobre o nosso, assim poremos aquella
carta de parte e iremos continuando at tirar todas as pedidas, da mesma
sorte que acima fica dito e quem estiver fazendo este segredo
acautelar-se-ha para os assistentes no darem f do que se est fazendo
por baixo da meza.




Segredo 60.


Virtudes do jacintho

O jacintho  de muitas cres, porm o verde ou roxo mui brilhante  o
melhor, o qual feito em p e tomado pela bocca,  cordial, e serve
contra as febres malignas: defende a quem o traz dos raios e temporaes.

Trazendo o jacintho comsigo, que toque ao corpo, conforta o corao, e
aviva o engenho.

Defende o jacintho, a quem o trouxer comsigo, de venenos e ares corruptos.

Tem virtude o jacintho de refrear a loucura, e evitar a melancolia; e
no soffre representaes de fantasmas, nem vises.

Meia legua de Toledo junto a um mosteiro de Bernardos, ha uma fonte
pegada  ribeira do rio Tejo que chamam dos jacinthos, porque ali ha
tantos, que sae a agua e corre por cima d'elles.




Segredo 61.


Virtudes das pedras da andorinha

Diz o experimentador Alberto, e ainda outros, que na cabea da andorinha
se acham duas pedrinhas mui pequenas, e que uma  branca, e outra
vermelha, cujas virtudes so as seguintes.

Dizem que quem trouxer comsigo a pedra branca da andorinha, no ser
molestado de sde, e que se a tiver na bocca, sempre a ter fresca.

Dizem mais, que se alguem tiver fluxo de sangue e trouxer a mesma
pedrinha branca ao pescoo, logo se lhe estancar o sangue.

Tambem dizem que tem virtude para ajudar as mulheres no parto, como a
pedra da aguia.

Dizem mais, que lanada a mesma pedrinha branca em uma vasilha de agua
por espao de uma noite, e bebida a agua, provoca a cursos, e tira o mal
da gotta, e ainda a febre se a tiver.

Tambem dizem que quem trouxer comsigo a pedra vermelha da andorinha se
livrar de muitas doenas.




Segredo 62.


Virtudes da pelle que a cobra costuma despir

A pelle da cobra queimada, e posta em cima de alguma ferida, a deixa s;
e se houver bico, ou ferro mettido dentro na carne costuma attrahil-o a
si, at o tirar fra.

Notem uma e outra vez, advirtam, que quem trouxer comsigo os ps d'esta
pelle de cobra ser preservado de lepra, e de qualquer peonha. E
saibam, que os ditos ps tem grandes virtudes, e muitas propriedades:
porm, ha de se queimar a dita pelle, estando o sol no signo de Aries,
que  de 12 de maro at 26 de abril.




Segredo 63.


Para tornar doce a agua do mar, que se possa beber

Diz Aristoteles, que para fazer a agua do mar doce que se possa beber,
faam uma vasilha de cra bem tapada, e a mettam no mar, que fique
coberta de agua, e toda a que fr entrando pelos poros da cera perder o
sal e ficar doce. O mesmo succeder, se metterem no mar uma vasilha
nova de barro com tanto que tenha a bocca bem tapada.




Segredo 64.


Para conservar a castidade, e reprimir os estimulos da carne

Escreve Macencio, que o summo da erva chamada sagunta, bebido em jejum
reprime os estimulos da carne, e as suas folhas postas sobre os
genitaes, diz, que tem virtude de applacar os incentivos da luxuria.

Avicena escreve, que a arruda comida, mitiga os ardores da carne no
homem; e na mulher pelo contrario, porque os aviva com excesso.

O mestre Joo diz, que o orjavo tem mui grande virtude, e efficacia
para reprimir a luxuria, porque applicado aos lombos mitiga, e applaca
grandemente os estimulos da carne. Diz mais o mesmo author, que o sumo
do orjavo bebido causa impotencia, a quem o toma, por espao de sete
dias. Escreve Dioscorides, que a fructa, que produz o cedro, pizada, ou
o sumo de suas folhas posto nos genitaes, desterra a appetencia de actos
venereos. Michael Escoto diz com muito fundamento que todas as cousas
agras, frias e azedas se accomodam bem com a castidade, conservando-a: e
pelo contrario as cousas doces, quentes e odoriferas, a destroem, e
estragam de todo. Porm fallando espiritual e catholicamente, o que mais
conserva, e defende a castidade  o jejum, a disciplina e a orao
frequente e com muita devoo.




Segredo 65.


Para conservar as camas sem persevejos, os aposentos sem pulgas,
as casas sem moscas, e ainda sem mosquitos nem ratos

Tomaro cla feita de retalhos de couro, e desfeita em agua ao fogo, que
fique bem clara e rala, lhe misturem azeite, e assim quente, molharo e
esfregaro as taboas e ps do leito, de sorte que toda a madeira fique
lavada com este cosimento, e resultaro dois effeitos muito bons. O
primeiro ser que o leito todo parecer de nogueira. E o segundo, que
no se crearo n'elle persevejos, como tenho bem experimentado.




Segredo 66.


Contra pulgas

Ponham uma panella de agoa ao lume, e lanar-lhe-ho dois vintens de
solimo, e deixando-a ferver bem, borrifaro o aposento depois de bem
varrido, e tenham por certo que morrero, e se no crearo outras. Mas
isto se ha de fazer duas vezes na semana.




Segredo 67.


Contra moscas

Tomem um pouco de mel e farinha, mechida com uma pouca de agoa clara,
lhe lancem arsenico ou rosalgar, e ponham esta mistura em caqueiros,
aonde cheguem as moscas, e vr-se-ha quantas vo caindo, porque em
provando ficam mortas. O mesmo effeito faz o ouro e pimenta moida, e
desfeito em agoa e posto em algumas vasilhas pela casa; mas vigiem que
no chegue co ou galinha a provar, porque ficaro mortos.




Segredo 68.


Contra mosquitos

Queimaro cominhos rusticos no aposento aonde houver mosquitos, e logo
cairo mortos ou se iro; tambem quem molhar o rosto com agoa, na qual
estivessem cominhos rusticos de infuso, no lhe ho de chegar os
mosquitos ao rosto. Em outro logar se diro outros segredos mais cerca
d'isto; mui notaveis e difficultosos de crer, e por tanto cito ali os
auctores que o dizem.




Segredo 69.


Contra ratos

Faam por apanhar um rato vivo, j grande ou mediano, e faam uma de
duas cousas. Ou lhe esfolem a cabea e lhe ponham na abertura da pelle
um pouco de sal moido e deixem-no vivo, que elle com o ardor e raiva
affugentar os outros: ou faam outra cousa, se lhes parecer mais facil,
e  atar ao pescoo do rato um cascavel pequeno, que tenha o tenido mui
vivo, com o que far fugir os outros; e assim ficaro livres d'estes
inimigos caseiros, poupando gastos e molestias. Outro segredo melhor e
mais facil. Tomaro gesso novo, e passado por peneira o misturaro com
queijo ralado subtilmente, e misturado tudo o ponham em diversas partes
da casa, e ser cousa entretida vr os ratos que comerem da iguaria
andarem inchados por casa, e se tiverem agua que beber, morrero mais
depressa; porque o gesso tanto que chega  agua ou cousa humida, logo se
torna em massa, e  segredo sem perigo.




Segredo 70.


Para fazer durar o azeite da canda

Tomaro giesta da mais pequena e de folhas mais miudas; (porque ha duas
castas d'ellas) queimal-a-ho, e da cinza faro decoada; e pondo
esta a cozer, se converter em sal, o qual lanado nas candas,
conservar e far durar o azeite mais do tero. A pedra hume de rosa e o
sal commum, que serve para o comer, tem a mesma propriedade, porm no
tanto como o sal da giesta.




Segredo 71.


Para fazer augmentar o azeite das candas

Tomaro uma canada de azeite e pr-se-ha ao fogo, e logo lanaro quatro
onas de pz grego e um vintem de pedra hume de rosa; tudo bem moido
primeiro, e mechendo-o muito bem, at que esteja de todo misturado, logo
se podero servir d'elle nas candas, poder-se-ha fazer mais ou menos
seguindo a mesma ordem com proporo dos materiaes.




Segredo 72.


Para fazer vinagre bom e forte multiplicando-o com pouco custo

No tempo da vindima tomaro um p de bagao no patamal do lagar, depois
de espremido e estendido lhe lanaro cem potes de agua e quatro
arrateis de perrexil verde, dois de flor de sabugo verde, e um bom
cantaro de vinagre do melhor e mais forte, e deixal-o estar vinte ou
trinta dias, e no fim se esprema tudo, e recolhero vinagre mui forte e
odorifero; e proporcionando os materiaes, podem fazer mais ou menos.




Segredo 73.


Para multiplicar a cera

Tomaro uma arroba de cebo de bode e uma duzia de ovos de adem, s as
gemas, meias cozidas, desfeitas e bem batidas, se lancem no cebo com
outra arroba de cera, e tudo posto ao fogo se mecher, at que fique
derretido e bem misturado; e ficar tudo convertido em cera mui
amarella, para se fazer d'ella toda a obra que quizerem.




Segredo 74.


Para saber se o vinho tem agua ou no

Diz Creponte, que para saber se o vinho tem agua, lhe lanaro umas
talhadas de pera brava aparada, e se nadarem em cima, signal que est o
vinho puro; mas se forem ao fundo, se conhecer que o vinho est
aguado. Outra advertencia. Tomaro um junco ou uma palha de ava bem
lisa, e untada com cebo a mettero na vasilha do vinho; e se este tiver
agua, sairo pegadas umas pingas mui subtis de agua. Outra. Enchero de
vinho uma panella nova, e deixando-a estar dois dias, se sumir toda a
agua, se a tiver. Outra. Tomaro uma pedrinha de cal virgem, e
molhando-a com elle, vinho, se tiver agua logo se desfar a cal; e se
estiver puro, se apertar mais. Outra. Lanaro um pouco de vinho em
azeite que esteja bem quente, e se tiver agua, espirrar e saltar, o
que no hade acontecer se fr puro.




Segredo 75.


Para se no embebedar

Diz Filonio, que para se no embebedar so bons os bofes de ovelhas
assados, e comidos antes de jantar, ou que, antes que bebam vinho, comam
veras com vinagre, e d'este modo lhe no far mal o vinho, posto que
bebam mais do ordinario. Porm o melhor remedio para se no embebedar 
o que eu uso ha sessenta e tres annos que hoje fao de idade, e nunca
bebi vinho, e acho tanto regalo na agua, que  para mim a melhor iguaria
que vejo na mais explendida meza: e oxal se praticra isto que digo,
que o vinho se havia de vender na botica e usar por medicina. Se alguem
reconhecer o descredito, que causa o vicio de destemperana no beber, e
quizer livrar-se de se embebedar e aborrecel-o de todo, note o que
escreve Plinio, e  que mettam duas enguias vivas e grossas dentro em um
cantaro de vinho, e que depois de estarem affogadas, dem este vinho aos
que se costumam embebedar, e viro a aborrecer o vinho de todo; porque
causa um raro tedio e averso. Para o mesmo serve a bretonica feita em
p e bebida.




Segredo 76.


Para tirar a agua do vinho

Escreve Cato e Plinio, que para tirar a agua do vinho, se far uma
vasilha de po de hera, lanando o vinho n'ella, se tiver agua, todo o
vinho se ir coando e ficar s a agua na mesma vasilha: e se no tiver
agua, ficar a vasilha completamente vazia.




Segredo 77.


Uma redoma que estando cheia de agua, e posta com a bocca
destapada para baixo, se no entorne

Ponham uma redoma ou garrafa cheia de agua ou vinho dentro em um
cubosinho ou balde de madeira ou de cobre que  melhor, e lanaro sobre
a garrafa ou redoma, e por baixo quantidade de neve bem desfeita, e
por cima da neve se deitaro bastante sal moido e pouco a pouco iro
virando a garrafa, at que de todo esteja a neve desfeita, e escorrero
a agua da neve e lanar-lhe-ho outra tanta neve desfeita com sal moido;
e assim se deixar estar at que de todo se desfaa, sem mover a
garrafa: e faro o mesmo terceira vez, e tirar a agua congelada ou o
vinho que estiver na garrafa. E isto se pde fazer na fora do vero, e
parecer cousa impossivel, sendo to facil; e pondo a garrafa com a
bocca destapada para baixo,  certo que se no entornar. Como
experimentou o duque de Gandia, D. Francisco de Borja, que mandou uma
cheia de agua congelada no vero, ao patriarcha D. Joo de Ribeira,
arcebispo de Valena, o qual em retorno de to curioso segredo, lhe
mandou outra garrafa cheia de vinho congelado, que foi maior maravilha.




Segredo 78.


Para tornar uma rosa e um cravo de vermelho em branco

Defumaro o cravo e a rosa em enxofre, e logo se tornaro brancos de
encarnados; e podem fazer todo o craveiro branco, de vermelho, como eu
fiz a experiencia em uma occasio, tornando brancos mais de vinte cravos
encarnados, com admirao do dono do craveiro, por no saber a causa.




Segredo 79.


Curioso e de entretenimento

Recolhero uma pequena poro de azougue em um canudinho de penna e
muito bem tapado, o mettero dentro em um pedao de po quente, e
ver-se-ha, tanto que o azougue aquecer, que comear o po a dar saltos
pela meza. O mesmo vero que far uma avel, se a encheram de azougue, e
bem tapada com um torno que atoche bem, lanada em agua quente, porque
tanto que o azougue aquecer, far saltar a avel.




Segredo 80.


Garrafa ou redoma

Se quizerem fazer subir a agua por uma redoma vasia ou garrafa,
aquentar-se-ha muito bem e por-se-ha com a bocca para baixo na agua, e
vero subir a agua pela redoma acima em quanto esta estiver quente, e
para que o esteja, iro queimando papel sobre o fundo da mesma vasilha,
e no ha de parar at que encha de todo, e  provado.




Segredo 81.


Do ovo e da sanguexuga

Se quizeres que um ovo ande pela casa, tomaro um ovo vasio, de sorte
que fique a casca quasi inteira, e pelo buraco por onde o vasarem, lhe
mettam uma sanguexuga viva, e tapar-se-ha o buraco com cera, e tomaro
uma tigella de agua e a iro movendo junto ao ovo, e como a sanguexuga
do instincto natural conhece e sente o rumor da agua, vae seguindo
aquelle rumor, e o ovo rebolando, a quem no sabe o segredo fica
confuso, e  provado, e nota que a sanguexuga ha de ser de paul e de
umas que ha mui negras e grossas.




Segredo 82.


Raro do ovo e da linha

Ataro uma linha ao redor de um ovo, e pondo-o a assar no meio do
borralho que esteja bem coberto do lume mais vivo, e ver-se-ha que o ovo
se assa e no se queima a linha nem se quebra, e  provado.




Segredo 83.


Incrivel para quem o no viu nem provou

Se quizerem frigir peixe ou ovos em papel em logar de cert, tomem um
pedao de papel feito a modo de barrete de quatro cantos, e
deitar-lhe-ho azeite, e pondo-o sobre uma vela ou candeia accsa, ir
fervendo o azeite sem que o papel se queime e frigindo o peixe ou ovos,
 provado.




Segredo 84.


De duas caras pintadas na parede que apaguem e accendam uma vela

Pintaro na parede duas caras grandes, e no meio das boccas lhe faro
duas covinhas; em uma ponham salitre moido bem enxuto, e na outra
enxofre em p; e se chegarem o lume da vela  boca ou covinha do
salitre, se ha de apagar, e no mesmo instante chegaro o pavio da vela
que fica fumegando,  outra bocca do enxofre, se accender e  provado;
mas ho de tocar o pavio no salitre e no enxofre.




Segredo 85.


Para que um frango, estando vivo, parea morto e assado na meza,
e para o fazer saltar e fugir

Tomaro sumo de aipo e misturem-no com aguardente refinada, e deitaro
de molho umas migalhas de po n'esta agua misturada com sumo do aipo, e
daro de comer ao frango em jejum d'estas migalhas, e d'ali a pouco
cair o mesmo frango no cho amortecido, e no mesmo instante tirar-lhe
toda a penna e untal-o com mel branco, misturado com aafro, de
sorte que fique bem crado, e pondo o frango em um prato, na meza,
parecer assado. E quando o quizerem fazer tornar em si e saltar fra da
meza, molhar-lhe-ho o bico com um pouco de vinagre forte, de sorte que
lhe chegue  garganta, e de repente se levantar e fugir da meza, e 
provado.




Segredo 86.


Maravilha rara

Escrevem S. Basilio e S. Ambrosio, de uma ave que se chama Alcio, da
frma do maarico, a qual cria junto ao mar na area e no inverno; a qual
em 14 dias se tira e cria, at poderem voar. E dizem estes Santos
Doutores, que em todos estes 14 dias, que esta ave gasta em criar
seus filhos, nunca o mar se altera, pouco nem muito, antes se conserva
mui sereno e socegado. Esta maravilha e prodigio tem bem observado os
marinheiros, e chamam a estes dias alcionicos; e esto mui certos que em
todos estes 14 dias no ha tormenta no mar.




Segredo 87.


Do olho do co

Baptista Aranda, escreve em um livro de seus conceitos, que quem trouxer
comsigo um olho de co negro, no lhe ladraro os outros ces; por que
diz que o dito olho lana de si to grande fartum e cheiro, que os ces
o sentem logo pelo grande faro que teem; e no s se no atrevem a
ladrar, mas ainda nem a bolir comsigo.




Segredo 88.


Importante para a memoria

Se quizerem augmentar a memoria, tomaro a banha do urso e cera branca,
e derretero a cera com a banha, sendo esta dois tantos de cera; tomaro
a herva que se chama Valeriana, e outra que se chama Eufragia, frescas
ou seccas, e pizadas muito bem, as misturem com a banha e cera
derretida, e tornando ao fogo, deixaro ferver at que fique grosso,
mechendo com um po, e com este unguento untaro o toutio e testa, de
quando em quando, e se augmentar notavelmente a memoria, e  provado.




Segredo 89.


Dos dois casados que no tem filhos

Para saber, de dois casados que no tem filhos, em qual dos dois est o
defeito natural, tomem a ourina de ambos, marido e mulher, cada uma em
sua vasilha, e em cada qual d'ellas lanaro uns poucos de farellos de
trigo, e n'aquella ourina em que se crearem bichos, est o defeito
natural de no poder procrear ou conceber.




Segredo 90.


Para ter boa voz e clara

Tomaro a flor do sabugueiro, e seccando-a ao sol, moida, lanaro os
ps em vinho branco e os tomaro em jejum, e causar boa voz e clara.

O sumo do aipo e orjavo, bebidos, aclara muito a voz; mas advirtam,
que o sumo do orjavo resfria os genitaes.




Segredo 91.


Para que se no coza a carne na panella posta ao lume em todo o dia

Tomem uma pasta de chumbo delgada, e pondo-a no fundo da panella, no se
cozer a carne por mais fogo que tenha em todo o dia, e  provado.




Segredo 92.


Provado contra o mal dos queixos

Tomem duas duzias de folhas de hera, outras tantas de sabugo e outros
tantos gros de pimenta, e ponham tudo a ferver em vinho bem tinto e
velho com um pouco de sal, e depois de ferver bem, tirado do fogo,
tomaro bochechos de vinho quente, fazendo-se tres ou quatro vezes, se
tirar a dor sem falta.




Segredo 93.


Para fazer espirrar por baixo e por cima a quantos estiverem em
uma casa

Tomaro tres ou quatro pimentos ou malaguetas, e as poro em um
brazeiro, cobertas de cinza, de sorte que as brazas no cheguem aos
pimentos, porm que haja muitas brazas em cima e ao redor da cinza, e
tanto que forem aquecendo os pimentos, pouco a pouco sair um fumo to
subtil e delgado, que se no sente, at causar o sobredito effeito, com
tanto que a casa esteja bem fechada, e  provado.




Segredo 94.


Provado para que no nasam nem cresam cabellos

Raparo mui bem com uma navalha os cabellos que quizerem, e untaro
aquelle logar com gomma-arabia, desfeita com o sumo de herva molerinha
ou sangue de morcego, que  melhor, e no lhe crescero mais. O mesmo
effeito far o esterco de gato desfeito com vinagre.




Segredo 95.


Para que a barba e cabellos sempre se conservem negros

Mandaro fazer um pente de chumbo mui basto, com o qual pentearo a
barba e cabellos a miudo e sempre se conservaro negros.




Segredo 96.


Para conservar a barba e cabellos loiros

Tomaro folhas de nogueira e cascas de rom, distillado tudo por
lambique de vidro, e com esta agua lavaro mui bem, por quinze dias, a
barba e cabellos, e conservar-se-ho loiros.




Segredo 97.


Para que a barba e cabellos de brancos se tornem negros

Tomem folhas de figueira negra bem seccas, e feitas em p as misturaro
com azeite de macella gallega, e com isto untaro os cabellos e
barba muitas vezes, e se faro negros.




Segredo 98.


Para que as unhas e cabellos cresam pouco

Cortaro as unhas e cabellos em minguante da lua, com tanto que se ache
a lua no signo de Cancer, Pisces ou Escorpio, e crescero mui pouco.




Segredo 99.


Para que as unhas e cabellos cresam depressa

Cortaro as unhas e cabello em crescence de lua no signo de Tauro, Virgo
ou Libra, e vero como tornam a crescer depressa.




Segredo 100.


Aviso importante e proveitoso para os lavradores

Para que as sementeiras saiam boas, e a colheita melhor, observar o
lavrador, quando semear, que seja em lua nova, e que se ache no Signo de
Tauro, Cancer, Virgo, Libra ou Capricornio, e achar uma grande e rara
differena na seara e na colheita.




Segredo 101.


Para ferir fogo sem pederneira nem isca

Tomaro um po de louro secco, e outro de amoreira, ou de hera, que 
melhor, e roando rijamente um contra outro, aquecero tanto que s
accender fogo como polvora, ou mecha. D'este segredo usavam as espias
no campo de Cesar, por no serem sentidas dos inimigos.




Segredo 102.


Para seccar o leite dos peitos das mulheres

Notem este segredo: as mulheres para se lhes seccar o leite dos
peitos, por mais cheios e duros que os tenham, tomaro as folhas do
sabugueiro e as ponham estendidas e enxutas sobre os peitos, e logo se
iro abrandando e seccando; e  provado muitas vezes. Outro segredo mui
importante para o mesmo, e  que tomem uma herva que se chama melcoraje,
e pondo-a ao fogo em uma tigella com um pouco de azeite rosado, assim
que estiver quente a ponham aos peitos, cobrindo-os bem com pannos em
cima, e aos tres dias no sentiro leite nem molestia alguma; e tambem 
provado e experimentado muitas vezes.




Segredo 103.


Para saber antecipadamente se ha de haver abundancia de vinho

Escreve Missaldo, se a poupa (que  uma ave pintada como um periquito na
cabea) cantar antes que as vinhas rebentem,  signal mui certo que
haver abundancia de vinho n'aquelle anno.




Segredo 104.


Para que os novilhos sigam a um homem

Diz Aristoteles, livro de _Animalibus_, que se pozerem uns pedacinhos de
cera benta nas pontas do novilho, ha de seguir a quem lh'os pozer.




Segredo 105.


Para que as bestas tornem para casa de seus donos

Escreve Santo Alberto Magno, que untem a testa da besta com sumo de
cebolla alvarr, e no temam que se perca se a no furtarem.




Segredo 106.


Para fazer que uma besta no possa comer

Untar-lhe-ho a lingua toda com cebo, e antes se deixar estalar que
comer cousa alguma, se lhe no tirarem o cebo com sal e vinagre,
lavando-lhe muito bem a lingua.




Segredo 107.


Para no poderem passar por uma rua cavallos nem outro gado

Escreve Santo Alberto Magno, que faam uma cordinha de tripa de lobo, e
pondo-a atravessada na rua, coberta de ara ou p, vero que no passar
por ella cavallo ou gado, ainda que os matem s pancadas; e dizem que
fez a experiencia S. Thomaz de Aquino, discipulo de Santo Alberto Magno.




Segredo 108.


Para descano das bestas que caminham

Escreve Plinio, que tomem os dentes maiores dos lobos e que os atem ao
pescoo das cavalgaduras, e no se molestaro nem canaro muito no
caminho.


FIM DA TERCEIRA PARTE





End of the Project Gutenberg EBook of O Oraculo do Passado, do presente e do
Futuro (3/7), by Bento Serrano

*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK O ORACULO DO PASSADO (3/7) ***

***** This file should be named 30462-8.txt or 30462-8.zip *****
This and all associated files of various formats will be found in:
        http://www.gutenberg.org/3/0/4/6/30462/

Produced by M. Silva (produced from scanned images of
public domain material from Google Book Search)


Updated editions will replace the previous one--the old editions
will be renamed.

Creating the works from public domain print editions means that no
one owns a United States copyright in these works, so the Foundation
(and you!) can copy and distribute it in the United States without
permission and without paying copyright royalties.  Special rules,
set forth in the General Terms of Use part of this license, apply to
copying and distributing Project Gutenberg-tm electronic works to
protect the PROJECT GUTENBERG-tm concept and trademark.  Project
Gutenberg is a registered trademark, and may not be used if you
charge for the eBooks, unless you receive specific permission.  If you
do not charge anything for copies of this eBook, complying with the
rules is very easy.  You may use this eBook for nearly any purpose
such as creation of derivative works, reports, performances and
research.  They may be modified and printed and given away--you may do
practically ANYTHING with public domain eBooks.  Redistribution is
subject to the trademark license, especially commercial
redistribution.



*** START: FULL LICENSE ***

THE FULL PROJECT GUTENBERG LICENSE
PLEASE READ THIS BEFORE YOU DISTRIBUTE OR USE THIS WORK

To protect the Project Gutenberg-tm mission of promoting the free
distribution of electronic works, by using or distributing this work
(or any other work associated in any way with the phrase "Project
Gutenberg"), you agree to comply with all the terms of the Full Project
Gutenberg-tm License (available with this file or online at
http://gutenberg.net/license).


Section 1.  General Terms of Use and Redistributing Project Gutenberg-tm
electronic works

1.A.  By reading or using any part of this Project Gutenberg-tm
electronic work, you indicate that you have read, understand, agree to
and accept all the terms of this license and intellectual property
(trademark/copyright) agreement.  If you do not agree to abide by all
the terms of this agreement, you must cease using and return or destroy
all copies of Project Gutenberg-tm electronic works in your possession.
If you paid a fee for obtaining a copy of or access to a Project
Gutenberg-tm electronic work and you do not agree to be bound by the
terms of this agreement, you may obtain a refund from the person or
entity to whom you paid the fee as set forth in paragraph 1.E.8.

1.B.  "Project Gutenberg" is a registered trademark.  It may only be
used on or associated in any way with an electronic work by people who
agree to be bound by the terms of this agreement.  There are a few
things that you can do with most Project Gutenberg-tm electronic works
even without complying with the full terms of this agreement.  See
paragraph 1.C below.  There are a lot of things you can do with Project
Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement
and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
works.  See paragraph 1.E below.

1.C.  The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
Gutenberg-tm electronic works.  Nearly all the individual works in the
collection are in the public domain in the United States.  If an
individual work is in the public domain in the United States and you are
located in the United States, we do not claim a right to prevent you from
copying, distributing, performing, displaying or creating derivative
works based on the work as long as all references to Project Gutenberg
are removed.  Of course, we hope that you will support the Project
Gutenberg-tm mission of promoting free access to electronic works by
freely sharing Project Gutenberg-tm works in compliance with the terms of
this agreement for keeping the Project Gutenberg-tm name associated with
the work.  You can easily comply with the terms of this agreement by
keeping this work in the same format with its attached full Project
Gutenberg-tm License when you share it without charge with others.

1.D.  The copyright laws of the place where you are located also govern
what you can do with this work.  Copyright laws in most countries are in
a constant state of change.  If you are outside the United States, check
the laws of your country in addition to the terms of this agreement
before downloading, copying, displaying, performing, distributing or
creating derivative works based on this work or any other Project
Gutenberg-tm work.  The Foundation makes no representations concerning
the copyright status of any work in any country outside the United
States.

1.E.  Unless you have removed all references to Project Gutenberg:

1.E.1.  The following sentence, with active links to, or other immediate
access to, the full Project Gutenberg-tm License must appear prominently
whenever any copy of a Project Gutenberg-tm work (any work on which the
phrase "Project Gutenberg" appears, or with which the phrase "Project
Gutenberg" is associated) is accessed, displayed, performed, viewed,
copied or distributed:

This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
almost no restrictions whatsoever.  You may copy it, give it away or
re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
with this eBook or online at www.gutenberg.net

1.E.2.  If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is derived
from the public domain (does not contain a notice indicating that it is
posted with permission of the copyright holder), the work can be copied
and distributed to anyone in the United States without paying any fees
or charges.  If you are redistributing or providing access to a work
with the phrase "Project Gutenberg" associated with or appearing on the
work, you must comply either with the requirements of paragraphs 1.E.1
through 1.E.7 or obtain permission for the use of the work and the
Project Gutenberg-tm trademark as set forth in paragraphs 1.E.8 or
1.E.9.

1.E.3.  If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is posted
with the permission of the copyright holder, your use and distribution
must comply with both paragraphs 1.E.1 through 1.E.7 and any additional
terms imposed by the copyright holder.  Additional terms will be linked
to the Project Gutenberg-tm License for all works posted with the
permission of the copyright holder found at the beginning of this work.

1.E.4.  Do not unlink or detach or remove the full Project Gutenberg-tm
License terms from this work, or any files containing a part of this
work or any other work associated with Project Gutenberg-tm.

1.E.5.  Do not copy, display, perform, distribute or redistribute this
electronic work, or any part of this electronic work, without
prominently displaying the sentence set forth in paragraph 1.E.1 with
active links or immediate access to the full terms of the Project
Gutenberg-tm License.

1.E.6.  You may convert to and distribute this work in any binary,
compressed, marked up, nonproprietary or proprietary form, including any
word processing or hypertext form.  However, if you provide access to or
distribute copies of a Project Gutenberg-tm work in a format other than
"Plain Vanilla ASCII" or other format used in the official version
posted on the official Project Gutenberg-tm web site (www.gutenberg.net),
you must, at no additional cost, fee or expense to the user, provide a
copy, a means of exporting a copy, or a means of obtaining a copy upon
request, of the work in its original "Plain Vanilla ASCII" or other
form.  Any alternate format must include the full Project Gutenberg-tm
License as specified in paragraph 1.E.1.

1.E.7.  Do not charge a fee for access to, viewing, displaying,
performing, copying or distributing any Project Gutenberg-tm works
unless you comply with paragraph 1.E.8 or 1.E.9.

1.E.8.  You may charge a reasonable fee for copies of or providing
access to or distributing Project Gutenberg-tm electronic works provided
that

- You pay a royalty fee of 20% of the gross profits you derive from
     the use of Project Gutenberg-tm works calculated using the method
     you already use to calculate your applicable taxes.  The fee is
     owed to the owner of the Project Gutenberg-tm trademark, but he
     has agreed to donate royalties under this paragraph to the
     Project Gutenberg Literary Archive Foundation.  Royalty payments
     must be paid within 60 days following each date on which you
     prepare (or are legally required to prepare) your periodic tax
     returns.  Royalty payments should be clearly marked as such and
     sent to the Project Gutenberg Literary Archive Foundation at the
     address specified in Section 4, "Information about donations to
     the Project Gutenberg Literary Archive Foundation."

- You provide a full refund of any money paid by a user who notifies
     you in writing (or by e-mail) within 30 days of receipt that s/he
     does not agree to the terms of the full Project Gutenberg-tm
     License.  You must require such a user to return or
     destroy all copies of the works possessed in a physical medium
     and discontinue all use of and all access to other copies of
     Project Gutenberg-tm works.

- You provide, in accordance with paragraph 1.F.3, a full refund of any
     money paid for a work or a replacement copy, if a defect in the
     electronic work is discovered and reported to you within 90 days
     of receipt of the work.

- You comply with all other terms of this agreement for free
     distribution of Project Gutenberg-tm works.

1.E.9.  If you wish to charge a fee or distribute a Project Gutenberg-tm
electronic work or group of works on different terms than are set
forth in this agreement, you must obtain permission in writing from
both the Project Gutenberg Literary Archive Foundation and Michael
Hart, the owner of the Project Gutenberg-tm trademark.  Contact the
Foundation as set forth in Section 3 below.

1.F.

1.F.1.  Project Gutenberg volunteers and employees expend considerable
effort to identify, do copyright research on, transcribe and proofread
public domain works in creating the Project Gutenberg-tm
collection.  Despite these efforts, Project Gutenberg-tm electronic
works, and the medium on which they may be stored, may contain
"Defects," such as, but not limited to, incomplete, inaccurate or
corrupt data, transcription errors, a copyright or other intellectual
property infringement, a defective or damaged disk or other medium, a
computer virus, or computer codes that damage or cannot be read by
your equipment.

1.F.2.  LIMITED WARRANTY, DISCLAIMER OF DAMAGES - Except for the "Right
of Replacement or Refund" described in paragraph 1.F.3, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation, the owner of the Project
Gutenberg-tm trademark, and any other party distributing a Project
Gutenberg-tm electronic work under this agreement, disclaim all
liability to you for damages, costs and expenses, including legal
fees.  YOU AGREE THAT YOU HAVE NO REMEDIES FOR NEGLIGENCE, STRICT
LIABILITY, BREACH OF WARRANTY OR BREACH OF CONTRACT EXCEPT THOSE
PROVIDED IN PARAGRAPH F3.  YOU AGREE THAT THE FOUNDATION, THE
TRADEMARK OWNER, AND ANY DISTRIBUTOR UNDER THIS AGREEMENT WILL NOT BE
LIABLE TO YOU FOR ACTUAL, DIRECT, INDIRECT, CONSEQUENTIAL, PUNITIVE OR
INCIDENTAL DAMAGES EVEN IF YOU GIVE NOTICE OF THE POSSIBILITY OF SUCH
DAMAGE.

1.F.3.  LIMITED RIGHT OF REPLACEMENT OR REFUND - If you discover a
defect in this electronic work within 90 days of receiving it, you can
receive a refund of the money (if any) you paid for it by sending a
written explanation to the person you received the work from.  If you
received the work on a physical medium, you must return the medium with
your written explanation.  The person or entity that provided you with
the defective work may elect to provide a replacement copy in lieu of a
refund.  If you received the work electronically, the person or entity
providing it to you may choose to give you a second opportunity to
receive the work electronically in lieu of a refund.  If the second copy
is also defective, you may demand a refund in writing without further
opportunities to fix the problem.

1.F.4.  Except for the limited right of replacement or refund set forth
in paragraph 1.F.3, this work is provided to you 'AS-IS' WITH NO OTHER
WARRANTIES OF ANY KIND, EXPRESS OR IMPLIED, INCLUDING BUT NOT LIMITED TO
WARRANTIES OF MERCHANTIBILITY OR FITNESS FOR ANY PURPOSE.

1.F.5.  Some states do not allow disclaimers of certain implied
warranties or the exclusion or limitation of certain types of damages.
If any disclaimer or limitation set forth in this agreement violates the
law of the state applicable to this agreement, the agreement shall be
interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by
the applicable state law.  The invalidity or unenforceability of any
provision of this agreement shall not void the remaining provisions.

1.F.6.  INDEMNITY - You agree to indemnify and hold the Foundation, the
trademark owner, any agent or employee of the Foundation, anyone
providing copies of Project Gutenberg-tm electronic works in accordance
with this agreement, and any volunteers associated with the production,
promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works,
harmless from all liability, costs and expenses, including legal fees,
that arise directly or indirectly from any of the following which you do
or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.


Section  2.  Information about the Mission of Project Gutenberg-tm

Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
electronic works in formats readable by the widest variety of computers
including obsolete, old, middle-aged and new computers.  It exists
because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
people in all walks of life.

Volunteers and financial support to provide volunteers with the
assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's
goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
remain freely available for generations to come.  In 2001, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.


Section 3.  Information about the Project Gutenberg Literary Archive
Foundation

The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
Revenue Service.  The Foundation's EIN or federal tax identification
number is 64-6221541.  Its 501(c)(3) letter is posted at
http://pglaf.org/fundraising.  Contributions to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
permitted by U.S. federal laws and your state's laws.

The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
throughout numerous locations.  Its business office is located at
809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
business@pglaf.org.  Email contact links and up to date contact
information can be found at the Foundation's web site and official
page at http://pglaf.org

For additional contact information:
     Dr. Gregory B. Newby
     Chief Executive and Director
     gbnewby@pglaf.org


Section 4.  Information about Donations to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation

Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
spread public support and donations to carry out its mission of
increasing the number of public domain and licensed works that can be
freely distributed in machine readable form accessible by the widest
array of equipment including outdated equipment.  Many small donations
($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
status with the IRS.

The Foundation is committed to complying with the laws regulating
charities and charitable donations in all 50 states of the United
States.  Compliance requirements are not uniform and it takes a
considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
with these requirements.  We do not solicit donations in locations
where we have not received written confirmation of compliance.  To
SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
particular state visit http://pglaf.org

While we cannot and do not solicit contributions from states where we
have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
against accepting unsolicited donations from donors in such states who
approach us with offers to donate.

International donations are gratefully accepted, but we cannot make
any statements concerning tax treatment of donations received from
outside the United States.  U.S. laws alone swamp our small staff.

Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
methods and addresses.  Donations are accepted in a number of other
ways including including checks, online payments and credit card
donations.  To donate, please visit: http://pglaf.org/donate


Section 5.  General Information About Project Gutenberg-tm electronic
works.

Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
concept of a library of electronic works that could be freely shared
with anyone.  For thirty years, he produced and distributed Project
Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.


Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
unless a copyright notice is included.  Thus, we do not necessarily
keep eBooks in compliance with any particular paper edition.


Most people start at our Web site which has the main PG search facility:

     http://www.gutenberg.net

This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks.
